quinta-feira, 23 de julho de 2015

Detalhismo e o prazer de fazer bem feito

Detalhismo ou preciosismo é o ato de realizar as atividades se prendendo aos detalhes

Isso é um problema?

Por favor, releia a primeira frase e veja se algo soa estranho pra você. 

Então... o verbo "prender" não foi usado à toa neste caso. O que acontece é que a pessoa se foca muito nos detalhes, usando boa parte do seu tempo nisso e, quando percebe, os minutos são escassos, a parte principal da tarefa ainda não foi contemplada e terá que ser vista de forma bem rápida, o que aumenta a possibilidade de erros aparecerem ou do trabalho não ficar bom. Ainda pode acontecer de não dar tempo mesmo de fazer o principal e estourar o prazo, que precisa ser renegociado.

Se isso acontece com frequência, pode afetar negativamente a imagem daquela pessoa que passa a ser vista como alguém que não entrega o que é necessário.

Outras consequências deste comportamento podem ser: aumento da ansiedade e preocupação, desânimo, sensação de que nunca vai conseguir dar conta das coisas e de que é incapaz de  ir até o fim

Bom, agora que já tenha ficado claro que o detalhismo é um problema e tanto

E onde se encaixa o prazer de fazer bem feito (a segunda parte lá do título!)?
Muito bem pensado, caro leitor...

É em nome dele que podemos nos engajar nos detalhes. Pena que este prazer dure pouco (em geral, até que sejamos cobrados pelos resultados ou que percebamos que não temos tempo suficiente para terminar o que é necessário). 

Outra razão pode ser imaginar que este é o melhor jeito de fazer as coisas: o famoso "tudo que tem que ser feito, merece ser bem feito". E que se as tarefas não forem feitas "de forma cuidadosa", o resultado será ruim.

Detalhe significa pormenor, uma particularidade que faz parte do todo, mas é algo que tem valor relativo, pequeno se comparado ao que é o principal.

Exemplo: você precisa entregar um relatório
Principal: conteúdo pedido 
Detalhe: a fonte da letra que você vai usar, a formatação da página, o aprofundamento do conteúdo num nível que não foi pedido mas que, dentro do raciocínio do detalhismo, "deixaria o trabalho muito melhor"

Os detalhes fazem a diferença?
Eu acho que sim, mas só quando não atrapalham a concretização do que precisa, de fato, ser feito.

Ana Carolina Diethelm Kley
anacdkley@hotmail.com
Para me adicionar no Twitter: @AnaDKley



quinta-feira, 16 de julho de 2015

Ter ansiedade é normal?

Depende.

Ansiedade é uma emoção que se assemelha a outras como receio, medo, preocupação, insegurança, angústia, desespero. Simplificando (apenas para facilitar nossa comunicação, caro leitor), vamos chamar tudo de medo (sim, ansiedade é só um nome diferente para medo). 

O que varia é a intensidade da emoção e os sintomas físicos que aparecem junto (exemplo: ao ficar preocupado, você pode sentir apenas uma leve tensão, algum nível de desconforto físico; já ao se sentir desesperado, seu coração bate muito rápido, você pode ficar agitado, com um aperto no peito e dificuldade de se concentrar).

Sentir ansiedade é normal. Todo mundo tem em um ou outro momento. O que acontece é que as pessoas, ou a maior parte delas, não fica falando aos quatro ventos que está ansiosa ou que se sentiu assim antes de dar uma palestra ou fazer uma reunião, o que pode passar a impressão de que isso só acontece com você.

Existem, ainda, aquelas que disfarçam muito bem e que, aos olhos dos outros, parecem totalmente seguras. Lá no fundo, pode ser que não seja assim, mas só elas sabem disso.

Algumas pessoas não se sentem bem em expor que tem medo ou que se sentem inseguras diante de um desafio, por pensarem que isso pode ser visto como uma falha, um defeito, algo que tire o valor delas de algum modo.

Bom, mas se sentir ansiedade é algo normal, então por que eu coloquei "depende" na primeira linha?

Porque, embora ter emoções do grupo da ansiedade seja algo que faz parte de todo ser humano, ela pode se tornar um problema (leia-se algo que foge do normal) dependendo da frequência e da intensidade com que ela aparece na sua vida.

E qual é o parâmetro usado para avaliar isso? Funcionalidade.
Em outras palavras: se a ansiedade que você sente causa prejuízos na sua produtividade e/ou nos seus relacionamentos, temos um sinal importante de alerta

O medo pode ser visto como um mecanismo de autocuidado que nos avisa quando há algo perigoso, sob qualquer ponto de vista, ao nosso redor. Quando a ansiedade começa a paralisar a nossa vida, ao invés de nos proteger ou orientar de maneira razoável, isso pode indicar que nosso "sensor" está descalibrado.

Se este for o seu caso, saiba que você não está sozinho! Questões ligadas ao excesso de ansiedade são muito comuns nas clínicas de psicologia. Administrar melhor sua ansiedade é uma habilidade que pode ser aprendida como qualquer outra. Só é preciso colocar seu foco nisso e ir atrás de mais conhecimento (aqui no blog, você pode clicar no marcador "ansiedade"; há vários posts sobre isso) e/ou de ajuda especializada. Aqui, você tem uma lista de profissionais que podem ajudar. Mãos à obra!


Ana Carolina Diethelm Kley
anacdkley@hotmail.com
Para me adicionar no Twitter: @AnaDKley



quinta-feira, 2 de julho de 2015

Contra a procrastinação, use micro passos

A procrastinação, ou a tendência a deixar as coisas para depois, é um fenômeno muito comum, mas nem por isso menos prejudicial. Ao longo do tempo, ele pode atrasar seus projetos,  fazer você se estressar sem necessidade, aumentar a possibilidade de você perder oportunidades ou, até mesmo, paralisar sua vida.

Enfim, qualquer estratégia que nos ajude a adiar menos as coisas e a encarar mais a vida é bem-vinda, você não acha?

Levando isso em conta, resolvi escrever sobre os micro passos. A ideia é não olhar para o resultado final, mas para cada pequena etapa a ser feita.Vou dar um exemplo do que quero dizer e, depois, explico porque isso funciona.

Exemplo:
Quando penso "preciso arrumar meu armário", posso ficar desanimada e decidir que hoje não é um bom dia pra isso (a tal da procrastinação)

Usando os micro passos, a linha de raciocínio é a seguinte:
- preciso abrir meu armário
- abrir a primeira gaveta
- olhar o que tem dentro da primeira gaveta
- tirar as coisas da gaveta e colocar sobre a cama
- separar as coisas da primeira gaveta em categorias (camisetas com manga e camisetas sem manga)
- dobrar as coisas
- guardar as coisas de volta na gaveta
- fechar a gaveta

Atenção: isso não é um "to do" list (ou lista de coisas pra fazer). Não aconselho que isso seja escrito, pois a lista ficaria imensa. Minha sugestão é que você se pergunte: qual o próximo pequeno passo? A lista aí de cima dá um exemplo de  respostas. O micro passo é uma ação muito simples e a soma dos seus efeitos resulta no nosso objetivo (ter um armário arrumado).

Agora, por que você faria tal coisa?
A procrastinação, em geral, tem relação com enxergamos o que temos a fazer como algo muito complicado, difícil, confuso, chato. Além disso, podemos ficar na dúvida se vamos ou não conseguir dar conta do recado. Aí, quando olhamos para as micro tarefas, podemos nos sentir seguros de que conseguimos fazer aquilo, pois nos parece simples, algo que pode ser feito. Então, posso não me sentir capaz de arrumar o armário inteiro, mas provavelmente vou me sentir capaz de abrir o armário; me sentirei capaz de, depois disso, abrir a primeira gaveta e assim por diante.

Ver a tarefa como algo que você consegue fazer cria motivação para se envolver na atividade e, uma vez que você use o esquema das micro tarefas para começar (a parte mais difícil, em geral), a tendência a procrastinar diminui.

Eu já testei e funcionou:  quando percebo que estou enrolando para fazer algo importante, começo a pensar nos micro passos e digo "ok, só vou fazer isso aqui" (o primeiro micro passo); depois, penso "ah, já que estou aqui, vou só fazer mais isso aqui" (o segundo micro passo) e, em geral, continuo fazendo. Você também pode testar (sugestão: com aquele e-mail que você está enrolando pra escrever). Só assim você realmente pode saber se funciona pra você. Se essa minha proposta pareceu fácil e deu vontade de testar, acredito que você esteja no caminho certo. Então, mãos à obra!

Ana Carolina Diethelm Kley
anacdkley@hotmail.com
Para me adicionar no Twitter: @AnaDKley


quinta-feira, 25 de junho de 2015

As dificuldades são companheiras, não inimigas

Caro leitor, hoje quero falar com seu lado emocional. Deixe seu lado racional apenas espiando, por favor. Você vai entender, em breve, o porque deste pedido.

Bom, vamos ao  tema do post.

Decidi escrever sobre ter dificuldades porque isso faz parte de qualquer processo de aprendizagem e, portanto, é normal e frequente. Seu lado racional pode ler essa frase e dizer "Mas claro que é. Todo mundo tem dificuldade, todo mundo erra!". Seu lado emocional, por outro lado, pode murmurar entredentes "não é bem assim, não! As pessoas que são realmente inteligentes e boas no que fazem não tem dificuldades. Então, você não deve ter dificuldades."

E como é que você pode saber se seu lado emocional realmente diz algo assim? Observando a reação que você tem quando encara uma dificuldade cara a cara: no momento em que percebe que não está entendendo, que as coisas não estão claras, que outras pessoas tem mais facilidade com aquilo que você. O que você sente? Caso se sinta chateado, desanimado, triste ou com raiva, é muito provável que seu lado emocional diga o que está descrito acima mesmo (ou algo similar).

Se for este o caso, não se preocupe. Você não está sozinho. Essa ideia e essas reações são muito comuns.

Agora, se você quer aprender uma língua, fazer um esporte novo, se especializar, abrir uma empresa, ousar na vida de forma geral (sair da mesmice), dar um passo adiante ou se empenhar em qualquer atividade nova, prepare-se: algum nível de dificuldade vai aparecer. E sabe por que? Porque você ainda não sabe aquilo. E isso não é nem errado, nem inadequado e nem mostra que você tem um problema intrínseco e irrecuperável. Mostra sim que você está adentrando algo desconhecido.  

Ter esse tipo de dificuldade é esperado e só diz que você está avançando no processo. Sim, é isso mesmo que você leu: ter dificuldade pode ser um sinal de progresso. Afinal, quer dizer que você se envolveu em algo novo (já merece os parabéns!) e foi adiante. Em alguma parte do caminho, deu de cara com alguma coisa confusa, algum ponto ou perspectiva diferente, e é aí que você tem a oportunidade de dar outro passo importante: parar, olhar pra aquilo, entender melhor e aprender algo. 

Sendo assim, a dificuldade pode ser vista como uma porta para a evolução. Olha que coisa boa! 

Mas, se você interpreta a dificuldade como alguma coisa que não deveria estar ali ou que diz algo de ruim sobre você, o que acontece é que o processo é quebrado, pois, em geral, tendemos a evitar o desconforto de nos sentirmos errados ou inadequados. O que vem depois é parar, deixar de lado, começar a desqualificar a coisa toda ("ah, nem queria mesmo", "acho que não vale a pena", "isso é chato", "eu podia usar meu tempo com coisas bem mais interessantes") e deixar de avançar, de aprender. 

Com o tempo, você pode ter a sensação de que sua vida não anda ou anda muito lentamente, que você não consegue alcançar seus objetivos ou que você sempre começa e pára, começa e pára. 

O efeito que a dificuldade terá sobre você depende da maneira como você decidir enxergá-la. Agora, o caminho a seguir está na suas mãos (ou na sua cabeça). O que seu lado emocional achou de tudo isso?

Ana Carolina Diethelm Kley
anacdkley@hotmail.com
Para me adicionar no Twitter: @AnaDKley







quinta-feira, 18 de junho de 2015

Vivendo com "E se's"



Preciso confessar que nunca vi ninguém afogado em "e se's" tão literalmente, mas já vi muita gente paralisada e com uma sensação de mesmice, insatisfação e falta de esperança num futuro melhor. E, sim, uma das causas pode ser o excesso de "E se".

Aliás, o que é isso?

"E se" são pensamentos ligados a remorso e tristeza, como nos exemplos do quadrinho acima. Essa maneira de rever o passado, causa a tal da paralisia porque, além de não trazer novas informações (como é que dá pra saber o que teria acontecido se você tivesse reagido diferente?), ainda faz com que o foco da sua atenção seja algo que não tem como ser modificado (o passado) e colabora para o excesso de autocrítica.

Os "E se" também podem ser pensamentos que causam ansiedade, preocupação, medo e insegurança e que fazem com que tenhamos alguns comportamentos como:
- tentar prever tudo o que pode dar de errado
- deixar pra depois as coisas que precisam ser feitas
- se prender a muitos detalhes e se perder no tempo 
- acabar não fazendo nada mesmo (porque nada garante que a coisa vá da certo)

Se você perceber que os tem, o que fazer com isso?

Acredito que algumas reflexões podem ajudar, então, vamos a elas:
- Quais são os efeitos (na prática) de ouvir meus "E se?"
- Quais são os custos (o preço) de levá-los em consideração?
- O que eu tenho ganhado com isso? ATENÇÃO: eu perguntei o que você, agora, ganha com isso, não o que você pode vir a ganhar se você continuar ouvindo os "e se"
- Estou sendo precavido e planejando o caminho a seguir ou estou somente paralisado?
- Se eu agir mais, o que receio que aconteça?
- Se isso acontecer (supondo que seja algo ruim), o que posso fazer?
- Se eu agir mais, posso me beneficiar de alguma maneira? Se sim, como?
- Que riscos corro se fizer isso? Eles são manejáveis?

Como refletir pode ajudar? 
Para mudar é preciso motivação. 
Motivos para agir podem surgir dessa reflexão. Quando você se sentir encorajado a fazer algo, por menor que seja, e der o primeiro passo, a mudança começou.

Responder essas perguntas dá trabalho e é preciso coragem pra fazer isso, coragem para se conhecer e encarar que talvez seja necessário pensar e agir diferente. Mas acredito que preço que o comodismo cobra seja muito mais alto, embora pago em parcelas. 
Ana Carolina Diethelm Kley
anacdkley@hotmail.com
Para me adicionar no Twitter: @AnaDKley







quinta-feira, 21 de maio de 2015

Como melhorar sua comunicação ou o caso da Radial Leste

Aqui em São Paulo, temos várias avenidas importantes e grandes, algumas com três ou quatro pistas em cada uma das direções. Este é o caso da Radial Leste que, de tão larga, muitas vezes tem um canteiro central separando as faixas que vão daquelas que voltam. E, por causa disso, você só consegue cruzar de um lado para o outro em alguns trechos.

Mas por que estou falando tudo isso se este é um blog de psicologia e não de tráfego urbano?
Só para mostrar uma situação que exemplifica como podemos ter certeza absoluta de que estamos sendo claros, quando, na verdade, não estamos.

Vamos ao caso!

Fui para a região do Tatuapé (onde fica a Radial Leste) e, como não sei me localizar muito bem por lá, resolvi pedir informações a uma pessoa. Estava numa rua transversal à Radial, a um quarteirão dela, e conseguia vê-la, mas não enxergava um ponto em que não houvesse canteiro central, algum cruzamento para seguir.

Cheguei e falei: 
"Moço, por favor, você poderia me dar uma informação? 
Eu preciso cruzar a Radial e pegar o sentido oposto, quero ir para o centro. Qual rua transversal eu pego?" 

Ele me olhou, parou um pouco e perguntou: "Você quer ir até Radial do outro lado?"
"Sim! Qual rua eu pego?" (repeti a pergunta, achei que ele não tivesse entendido)

"É só você ir reto nessa rua mesmo"

Eu olhei de novo para a Radial, não tinha cruzamento, eu não podia atravessar. Pensei de novo: ele não está me entendo. Pensei até em perguntar para outra pessoa, mas resolvi insistir e disse "Não, aqui não tem como eu passar para o outro lado. Preciso saber onde tem um cruzamento".

Aí, ele falou: "mas você está a pé, não precisa de cruzamento para atravessar".

Momento de surpresa (e de revelação): eu estava a pé naquele momento mas, de verdade, estava com o carro estacionado por ali e ele não tinha como saber disso. Lógico!! Como ele ia adivinhar que eu, uma pedestre que parou para perguntar simplesmente "como eu posso chegar" estaria de carro? E não sei porque, pra mim, essa era uma informação óbvia, daí eu ter pensado que o problema era ele ou a maneira como ele não estava me entendendo quando, na verdade, eu não estava sendo tão clara quanto achava. "Só" deixei de mencionar um detalhe que mudaria todo o rumo da conversa. Ah, telepatia...

Resultado: disse que estava de carro, obtive a informação sobre o cruzamento mais próximo e pedi desculpas pela confusão, afinal, por mais prestativo que ele fosse, não tinha como ler pensamentos. 

Essa situação simples me chamou a atenção porque eu tinha CERTEZA ABSOLUTA que estava fazendo o meu papel para que nossa comunicação fosse tranquila e clara. E essa convicção me fez cogitar que o problema fosse com o outro. Se eu insistisse nessa forma de pensar, não teria obtido a informação necessária, talvez ficasse pensando que o moço tivesse problemas de comunicação (ele, né?!), poderia ficar irritada e, pior ainda, deixá-lo se sentindo inadequado. 

Aprendi com isso que talvez seja interessante, caso me veja numa situação em que a comunicação pareça um pouco truncada, me perguntar se eu realmente explicitei todas as informações necessárias, antes de "concluir" que o problema é do outro.

Confesso que adoro a possibilidade que todos temos de aprender através de situações corriqueiras e usar essa informação em outras mais complexas. Tão mais prático, não?

Ana Carolina Diethelm Kley
anacdkley@hotmail.com
Para me adicionar no Twitter: @AnaDKley



quinta-feira, 23 de abril de 2015

A casa, a lâmpada e o hábito de trocar de relacionamentos

Não sou especialista em relacionamentos afetivos, mas tenho algum conhecimento a respeito, o suficiente para assinar embaixo da seguinte frase:

"Um relacionamento é como uma casa:
quando queima uma lâmpada,
 você não sai e compra uma casa nova. Você conserta a lâmpada".
(autor desconhecido. Se você souber quem escreveu, por favor, me conte!)


O que tem de tão importante nessa comparação?

Ela mostra, por exemplo, que um relacionamento precisa de manutenção e cuidado constantes, assim como uma casa, para poder oferecer abrigo e aconchego (uma casa não se autolimpa, nem se autoconserta).

Que ambos tem a cara que seus integrantes dão pra eles (por isso, cada casa e cada relacionamento são únicos).

Diz, também, que com o passar do tempo é normal que as coisas se desgastem e precisem ser trocadas (casa) ou que precisem ser conhecidas, revistas e adaptadas (relacionamentos). Afinal,  as pessoas mudam o tempo inteiro e surgem novos gostos, descobertas, desafios.

Outra coisa muito interessante que se pode extrair deste trecho é que é NORMAL precisar fazer ajustes num relacionamento e que essa necessidade mostra que há duas pessoas diferentes (o que eu acabei de escrever é bem redudante, pois, pelo que eu saiba, não existem duas pessoas iguais) se conhecendo e construindo algo juntas. Então, se você está enfrentando algum desafio no seu relacionamento, isso pode ser um bom sinal! Sinal de que querem que a coisa dê certo.

Se ninguém fala nada, se ninguém mostra que não concorda, não gosta, aceita tudo ("Olha só, aquele casal nunca se desentende, que bonitinho! Como eles se dão bem!".... Sei não), talvez a coisa não esteja tão harmônica assim. Talvez, as pessoas não estejam se permitindo expressar seus gostos, limites e preferências e isso, a longo prazo, em geral, resulta em relacionamentos com alto grau de insastifação e submissão.

Isso também não quer dizer que eu acho algo maravilhoso brigar. Aliás, não me refiro a isso neste texto: refiro-me a acordos e ajustes, ao famoso win-win (onde todo mundo ganha).
E por que é necessário se dar ao trabalho de parar e acertar as arestas, de ajeitar o que não está funcionando? Por alguns motivos, dos quais destaco dois:

- porque, provavelmente, a pessoa com a qual você está não lê pensamentos (caso, leia, faço o favor de me apresentar! Gostaria muito de conhecer alguém com este poder) e, por causa disso, não sabe direito o que você quer ou não, quais são seus sonhos e objetivos, o que você prefere e do que você não gosta. Então, se quer se sentir bem, respeitado e satisfeito, diga claramente o que é necessário.

- e porque só existe um lugar no mundo em que os casais não precisam de nenhuma adaptação e seus relacionamentos, desde o momento em que seus olhares se cruzam, já são automaticamente tranquilos e todos se entendem perfeitamente: Holywood.
Se você não vive na terra do cinema e quer ter um relacionamento de verdade com intimadade e aconchego, invista na troca de lâmpadas e outros apetrechos, quando necessário.

Ana Carolina Diethelm Kley
Para me adicionar no Twitter: @AnaDKley

Related Posts with Thumbnails